O Ponto de Vista da Política Externa Turca (02/2018)

A análise do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Ataturk.

O Ponto de Vista da Política Externa Turca (02/2018)

A República da Turquia definiu novas orientações durante o ano de 2 017 e foram realizadas iniciativas importantes. No nosso programa desta semana, vamos analisar as medidas tomadas em 2 017 no contexto da política externa da Turquia. Já a seguir, apresentamos a análise do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Ataturk.

Os temas que determinaram as linhas mais importantes da política externa da Turquia em 2 017 foram os seguintes: os desenvolvimentos surpresa tanto a nível regional como global, as mudanças estruturais na política interna em termos da luta contra o terrorismo e as novas procuras e orientações. A diplomacia turca, desde o primeiro dia de 2 017 até ao fim, tomou iniciativas importantes e definiu orientações surpresa. Não apenas nas questões regionais, mas também em termos globais, onde passou a ter um papel mais importante.

Em 2 017, a diplomacia turca saiu do caminho e da linha que se conhecia e desenvolveu novas abordagens. Com estas iniciativas, surgiram novas amizades e unidades. Além disso, começaram também a ser questionadas algumas das amizades e alianças existentes.

Em 2 017, a diplomacia turca focou-se principalmente na região do Médio Oriente e sobretudo nos desenvolvimentos ocorridos na Síria, que estiveram na base da política externa da Turquia. Na Síria, o PYD/YPG – a ramificação do grupo terrorista PKK no país – foi o alvo da Turquia. A Turquia segue agora um novo conceito de segurança, que tem como objetivo eliminar o terrorismo na sua fonte, o Norte da Síria, e foi aí que aumentou a sua eficácia. Dentro desta orientação, Ancara entrou numa procura ativa por uma solução para a crise na Síria, conjuntamente com a Rússia e com o Irão. Para resolver esta questão, a Turquia deu início ao processo de Astana juntamente com a Rússia e com o Irão.

Relativamente à política da Turquia para o Iraque, em 2 017 viveu-se uma mudança importante. Sobretudo no que diz respeito à decisão ilegal de Barzani de fazer um referendo contra o direito internacional, que foi um ponto de rutura. Depois da decisão de realizar o referendo, a Turquia criou uma aliança com o governo central do Iraque e do Irão, o que mudou os equilíbrios no terreno a seu favor.

Depois da decisão perigosa sobre Jerusalém do presidente Trump dos Estados Unidos, a Turquia deu início a novas ações diplomáticas. Juntamente com o mundo islâmico, foram dados importantes passos diplomáticos. A Turquia levou este assunto à Assembleia Geral da ONU. Esta questão foi uma prova global que confirmou a opinião do presidente turco de que “o mundo é maior que cinco”.

Outra questão importante na diplomacia externa da Turquia em 2 017, foi a forte reação contra o massacre realizado sobre os muçulmanos de Arakan, em Myanmar. A Turquia tentou chamar a atenção da opinião pública mundial para este assunto.

Para a diplomacia turca, o ano de 2 017 marcou um dos períodos mais problemáticos nas relações entre a Turquia e os aliados ocidentais. Em particular, com os Estados Unidos, a UE, a NATO e a Alemanha, viveram-se situações de desacordo, que se estenderam também a outros países por causa de vários assuntos. 2 017 foi um ano de tensões com os Estados Unidos por causa da crise na Síria, do apoio americano dado ao PYD – a ramificação na Síria do grupo terrorista PKK – e por causa da extradição do cabecilha da FETO. Com os países da Europa, também se viveram tensões por causa da FETO e da luta contra a organização terrorista PKK.

Os países ocidentais não deram o apoio necessário à Turquia na sua luta contra as organizações terroristas, e esta foi uma das questões principais nas relações bilaterais. A Turquia não recuou nestas questões e defendeu a sua posição até ao fim. A Turquia não se absteve de tomar decisões duras nestas questões e de desafiar. No final de contas, as relações com o Ocidente ficaram mais tensas.

Por outro lado, as relações entre a Turquia e a Rússia ficaram marcadas pelas colaborações e pelo estreitamento das relações a todos os níveis, incluindo também o campo militar. Além disso, a Turquia criou novas amizades com os países não alinhados, como a Venezuela.

Em 2 017, a Turquia acelerou as suas iniciativas para a África. Dentro desta nova orientação, foram assinados acordos militares com a Somália e com o Sudão. Por um lado, tentou-se estabelecer novas e detalhadas relações com os países de África e da Ásia, e por outro continuaram as tentativas para fortalecer os vínculos já existentes.

A Turquia tenta de um lado produzir políticas no campo internacional, e por outro continuou a sua procura por soluções para os problemas estruturais. Nesta questão, viveu-se uma mudança importante na política externa. A Turquia passou a ser governada pelo sistema de governo presidencialista. Desta forma, foi ultrapassado um obstáculo estrutural importante para poderem ser alcançados os objetivos de 2 023. Além disso, a luta contra o terrorismo foi uma das questões mais importantes da agenda, tanto na política interna como na política externa, pois a Turquia continuou em 2 017 a sua luta contra a FETO, o PKK e o DAESH, tanto dentro do país como no estrangeiro.

A economia da Turquia, que cresceu abaixo do seu potencial em 2 016 – devido aos acontecimentos terroristas e à intentona golpista de 15 de julho – cresceu bastante mais em 2 017 devido à redução dos riscos. Tendo registado um crescimento de 11,1% no terceiro trimestre de 2 017, a Turquia foi o país que mais cresceu no G20.

No que toca às políticas energéticas, também se registaram desenvolvimentos importantes na Turquia em 2 017. Foram dados passos orientados para o transporte da energia local nos últimos anos e foram realizados trabalhos importantes. Para diminuir a sua dependência energética face ao exterior, a Turquia continua sem parar os seus investimentos em várias áreas, da energia nuclear às energias renováveis.

Em resumo, o ano de 2 017 foi para a política externa turca um período em que foram iniciadas novas iniciativas, com novos ataques.

Esta foi a análise sobre esta questão do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Ataturk.



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