Começou a perfuração no Mediterrâneo Oriental

Economia Política, um programa do Prof. Dr. Erdal Tanas Karagol.

Começou a perfuração no Mediterrâneo Oriental

Nos últimos anos, o Mediterrâneo Oriental tornou-se no palco de importantes desenvolvimentos na área da energia. As empresas multinacionais de energia começaram a implementar projetos de exploração de hidrocarbonetos desde 2 009, que conduziram à descoberta de amplas reservas de gás natural. Esta descoberta fez com que os atores da área da energia entrassem em ação no Mediterrâneo Oriental.

Israel, a administração cipriota do Chipre do Sul, o Egito e o Líbano, aceleraram as suas atividades de exploração de hidrocarbonetos e foram descobertos muitos campos de gás natural, de várias dimensões, na região do Mediterrâneo Oriental.

A reserva de gás natural de Leviathan foi descoberta em 2 010, na Zona Económica Exclusiva de Israel (ZEE). O campo de gás denominado Afrodite foi descoberto em 2 011 na ZEE do Chipre do Sul, e em 2 015 foi descoberto outro campo de gás na ZEE do Egito, ao qual foi dado o nome de Zohr. Estes campos de gás natural contêm as maiores reservas de gás na região e têm um potencial significativo tanto para os países em que se inserem, como para os mercados de consumo interno e para o mercado global da energia.

No entanto, não deve ser esquecido que ter recursos de gás natural nem sempre dá aos países uma vantagem. Em primeiro lugar, é necessário que haja uma via de transporte viável ou ligação física, que permita comercializar estes recursos para o mercado internacional. Por outro lado, o facto dos países do Mediterrâneo Oriental não serem capazes de encontrar uma solução para os seus problemas políticos, que são discutidos tanto ao nível doméstico como internacional, impede-os de tirar proveito da vantagem de ter gás natural.

Em resultado destes desafios, é óbvio que os países da região do Mediterrâneo Oriental irão continuar num ciclo vicioso durante mais algum tempo, e terão que esperar mais até poderem vender o gás natural extraído do Mediterrâneo Oriental.

O Chipre do Sul definiu unilateralmente a sua Zona Económica Exclusiva no Mediterrâneo, um ato erróneo ao nível internacional, apesar das objeções da República Turca do Chipre do Norte (RTCN). Esta situação deu origem a uma séria crise na região. O facto da administração greco-cipriota ter continuado com estas atividades e de ter violado a zona económica exclusiva da República Turca do Chipre do Norte, mostra que os problemas continuam na região.

Na realidade, a Turquia nunca se manteve em silêncio contra estes atos da administração greco-cipriota. A Turquia adquiriu uma licença para levar a cabo atividades de prospeção na região, passando assim a importante mensagem de que tem uma voz enquanto país no Mediterrâneo Oriental. Em seguida, a Turquia enviou o navio de exploração sísmica Barbaros Hayrettin para a região, para executar atividades de prospeção. Mais recentemente, a Turquia mostrou a sua presença no Mediterrâneo Oriental e vai continuar a implementar a sua Política Nacional de Energia e Minas, executada pelo Ministério da Energia e Recursos Naturais. Podemos dizer que a Turquia acelerou o ritmo das suas atividades no Mediterrâneo, desde que o navio Barbaros Hayrettin de exploração sísmica começou novamente as suas atividades de prospeção em abril de 2 017, no âmbito da estratégia de segurança de abastecimento energético, um dos pilares mais importantes desta política.

As atividades de exploração de gás natural no Mediterrâneo ganharam um novo ímpeto no ano passado, e um dos passos mais importantes foi a recente chegada à Turquia do navio de perfuração Deep Sea Metro 2. Este desenvolvimento indica que a Turquia irá começar operações ativas no Mediterrâneo. A Turquia irá abrir o seu primeiro furo no Mediterrâneo, muito provavelmente no começo deste ano.

Se estas atividades da Turquia derem frutos, estaremos perante uma situação com um profundo impacto no mercado doméstico no médio prazo. Olhando para os resultados de curto prazo destes desenvolvimentos no Mediterrâneo Oriental, deve ser notado que a Turquia se encontra num ponto crítico para o futuro dos países na região.

Enquanto país que fortalece a sua vantagem geológica com estabilidade política e económica, a Turquia está situada na sua região como a ligação ideal para os países do Mediterrâneo Oriental que queiram exportar as suas reservas de gás natural. O gasoduto TANAP está na fase final de construção, ao mesmo tempo que continua sem atrasos a construção de outro gasoduto, o Turkish Stream. Graças a estes projetos, a Turquia tornou-se num país que dá forma ao comércio de gás natural na região.

Na verdade, o transporte de gás natural através da Turquia das reservas da região do Mar Cáspio e da Rússia para o mercado europeu – o maior mercado consumidor de energia em todo o mundo – é a rota mais razoável para os países do Mediterrâneo Oriental.



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