Operação Ramo de Oliveira: 2ª semana

Caiu por terra a imagem de que o YPG é invencível e de que tem proteção política absoluta. A análise de Can Acun, investigador da SETA - Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais.

Operação Ramo de Oliveira: 2ª semana

Aconteceram desenvolvimentos substanciais na Síria. A operação das Forças Armadas da Turquia (FAT) contra os ninhos de terroristas em Afrin, vai agora na sua segunda semana. Adicionalmente a esta operação de sucesso, estão também a ser criados novos postos de observação para inspecionar a zona, com o objetivo de reduzir a tensão em Idlib. A situação no terreno está a pôr em causa o papel dos Estados Unidos na Síria.

A operação Ramo de Oliveira está a ter um efeito dominó, que irá enfraquecer de forma considerável o PKK/YPG também noutras regiões. A população local intimidada pelo grupo terrorista, já começou a oferecer resistência em Manbij, Hasaka, Al Raqqa e em Deir Ez Zor. Não obstante, o povo de Manbij já se revoltou contra o YPG. A busca da Turquia, do Irão e da Rússia por uma solução para a Síria – no âmbito do processo de Astana – está a isolar os Estados Unidos na região, que apostaram no cavalo errado.

O posicionamento das Forças Armadas da Turquia no Monte Al Ays, de importância estratégica e no âmbito da deslocação em direção a Idlib, potenciou a já forte posição da Turquia na Síria. Esta operação prossegue em paralelo com o avanço das Forças Armadas da Turquia e das forças da oposição. Apesar das dificuldades que a região de Afrin apresenta, os soldados turcos e os opositores sírios continuam a avançar.

A operação, em que continuam a ser tomadas as posições mais importantes, teve a sua maior influência na fase inicial. Caiu por terra a imagem de que o YPG é invencível e de que tem proteção política absoluta. Na base desta ideia associada ao YPG na Síria, está o apoio dado pelos Estados Unidos a este grupo terrorista. Como se sabe, a população nas regiões controladas pelo YPG na Síria é composta na sua larga maioria por árabes e por turcomanos. Depois da eliminação quase total do DAESH, a legitimidade do YPG começou a ser questionada pela população local. A atuação da Turquia, em conjunto com os opositores sírios compostos por árabes, turcomanos e curdos, criou uma alternativa para a região.

Nos enclaves como o de Manbij, começaram a ser criados grupos de resistência contra o YPG, nas regiões onde a população local está incomodada pela tirania cruel do YPG. Todos os sucessos militares alcançados pela operação, estão ao mesmo tempo a dar coragem aos árabes, turcomanos e curdos que estão contra as atrocidades do grupo terrorista. Por isso, a operação Ramo de Oliveira está a isolar os Estados Unidos, que inverteram tudo em relação ao YPG. Um grande número de declarações dos Estados Unidos contra a Turquia e contra a operação em Afrin, demonstram a solidão a que os Estados Unidos se votaram a si próprios. A diversidade de políticas seguidas pelas instituições americanas, ficou bem patente recentemente na declaração da CIA, que designou o YPG como sendo uma organização terrorista.

Os Estados Unidos, que estão fora do processo de Astana que avança sob a garantia da Rússia, do Irão e da Turquia, estão a ser arrastados para uma “solidão sem valor”. As políticas dos Estados Unidos, que tentam destruir um grupo terrorista usando outro para o efeito, estão a causar incómodo na região. A postura do YPG, que põe em causa a integridade territorial da Síria e os planos dos Estados Unidos para criar um exército fronteiriço, foi alvo de reações por parte da Rússia, do Irão e da Turquia. Washington tinha antes afirmado que a sua relação com o YPG se limitaria à luta contra o DAESH. No entanto, querem permanecer na região com a criação de um grande número de bases militares na Síria.

Outro facto importante na Síria, é o novo posto de vigilância criado pelas Forças Armadas da Turquia no âmbito do processo de deslocação para Idlib. O novo posto em Al Ays é de importância estratégica na região a sul de Alepo, e este foi um passo fundamental para a fiscalização da zona de arrefecimento do conflito.

Recentemente, a Turquia passou a ser um ator estratégico e decisivo para o público internacional, e na Síria em particular no âmbito do processo de Astana. A Turquia está a usar a sua posição forte para acabar com o drama humanitário na Síria, e trabalha para que a Síria possa ter um futuro melhor.

O alcançar de um papel decisivo pela Turquia na Síria, deve-se especialmente ao apoio da Turquia ao povo sírio, ao albergar 3 milhões de sírios no seu próprio território. A Turquia dá também muita ajuda a 4 milhões de outras pessoas que vivem na Síria, para que possam sobreviver.

Este programa foi escrito por Can Acun, investigador da SETA - Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais.



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